O bebê não quer comer. E agora?

Essa é uma situação recorrente: o bebê, que até pouco tempo crescia num bom ritmo, mamava muito, comia bem, de repente parou de comer. Há também aqueles que, alheios às tentativas dos pais, nem chegam a entrar de vez na introdução alimentar. Preocupados, os pais lidam com a frustração de ver o bebê recusar pratos e pratos de comida, ao mesmo tempo em que temem prejuízos a sua saúde.

Estou acostumada a ouvir relatos como esses no meu consultório, e sempre tranquilizo os pais: é importante que eles saibam que esse comportamento é fisiológico e muito normal. As crianças costumam parar de comer com aproximadamente um ano – algumas começam a rejeitar alimentos aos nove meses, outras vão até mais tarde, 18 meses.

E a ciência tem a resposta: calcula-se que nos primeiros quatro meses os bebês dedicam 27% do que comem a seu crescimento. Entre os seis e doze meses, só gastam com o crescimento 5% da ingestão. E no segundo ano de vida, apenas 3%. Se formos reparar as curvas de crescimento impressas nas cadernetas de vacinação podemos constatar que elas começam com uma linha mais verticalizada e depois seguem em um sentido mais horizontal. Por tudo isso, é natural que os bebês não queiram continuar comendo como antes, à medida que crescem.

Eu defendo que o natural é os bebês retomarem aquele percentil registrado no momento do nascimento (posição que ocupam na curva de crescimento): um bebê percentil 50 ao nascer, que chega aos seis meses no percentil 75, é comum que ele ‘busque’ aquele perfil de quando nasceu. O contrário também acontece: bebês que perderam muito peso nos primeiros meses de vida tendem a comer muito bem após os seis meses para retomar o percentil que tinham ao nascer. E tem também aqueles bebês que nasceram lá embaixo na curva, se mantiveram naquele nível, e tendem a continuar lá aos 12 meses.

Essa redução no apetite por volta de um ano acontece porque a velocidade de crescimento dos bebês também diminui. No primeiro ano de vida, a criança engorda e cresce mais rapidamente do que em qualquer época da vida. Já no segundo ano, tudo fica mais lento: são somente alguns centímetros e poucos quilos a mais. Por conta disso, é natural esperarmos que ela coma menos do que antes (seja leite materno, leite artificial ou papinhas). O famoso pediatra espanhol Carlos González, no livro “Meu filho não come”, defende por exemplo que a inapetência é na verdade “um problema de equilíbrio entre o que uma criança come e o que sua família espera que ela coma”. Ou seja, para ele, diminuir as expectativas dos adultos costuma “resolver o problema”.

Inclusive, reforço sempre para os pais que não se deve diminuir a oferta de leite para “forçar” o bebê a comer mais alimentos sólidos. É importante lembrar que até um ano o leite é o principal alimento do bebê. Se ele for para a escolinha e comer super bem lá, é natural que em casa ele prefira o leite, pois vai buscar ingerir a quantidade de que necessita.

Deixo aqui algumas dicas podem ajudar os pais a passarem por essa fase sem tanto estresse:

  • Manter a segurança e confiança de que esse é um processo natural e fisiológico dos bebês;
  • Continuar oferecendo alimentos saudáveis e variados;
  • Evitar cair na tentação de oferecer somente aquilo que o bebê aceita;
  • Focar mais na variedade de alimentos e menos na quantidade ofertada.

Por fim, confiar no nível saciedade da criança. Como defende o pediatra Carlos González, na natureza nenhum animal come mais do que precisa, ou morre de fome diante da oferta de alimentos. O mesmo ocorre com os bebês.

Para mais conteúdo sobre alimentação, baixe o e-book exclusivo sobre Introdução Alimentar, é gratuito:



Sobre o autor

Dra. Fernanda Lima

Um comentário em “O bebê não quer comer. E agora?”

  1. Top como sempre, tranquiliza nossos corações aflitos quando nossos pequenos não comem. 😍

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *