Por que são tão importantes as consultas de rotina com o pediatra?

consultas ao pediatra

Sempre que vejo textos falando sobre a importância da periodicidade das consultas de rotina ao pediatra, percebo que os motivos não são explorados de maneira clara e objetiva.

Esse texto foi pensado para esclarecer aos pais a verdadeira importância das consultas de rotina.

 

A primeira consulta ao pediatra

Primeiro gostaria de destacar a importância da primeira consulta com o pediatra.

Durante o período de internação do recém-nascido, que dura em média 48 horas, o bebê fica sendo observado pelo pediatra.

Porém, em razão da própria internação hospitalar não propiciar um momento de esclarecer as dúvidas e individualizar o cuidado, não ocorre uma consulta propriamente.

Assim, a primeira consulta de fato é aquela que deve ocorrer com até sete dias de vida do bebê.

E qual a importância dessa primeira consulta?

Bem, essa é uma consulta de caráter preventivo. Nessa consulta o pediatra verifica tudo que foi feito no hospital e solicita as triagens que porventura não foram solicitadas, como o teste do pezinho, por exemplo.

Outra questão importante desta primeira consulta é para verificar a presença da icterícia, que em geral começa a apresentar sintomas após 48 horas de vida do bebê, logo, o pediatra deverá ficar atento a isso.

Para mim, que também trabalho com amamentação, ainda destaco a importância dessa primeira consulta nestes aspectos: é nesta primeira consulta que verifico várias questões da amamentação, como está ocorrendo, se os pais entendem a livre demanda e se a pega do bebê está correta.

Ainda, nesta consulta já iniciamos o acompanhamento do processo de ganho de peso.

Em geral, do nascimento até a alta do bebê, ele apresenta perda de peso, que deverá ser recuperado até 15º dia de vida.

Quanto mais cedo for a intervenção, melhor são as chances de sucesso.

Após esta primeira consulta, iniciam as consultas de acompanhamento:

– mensais até os primeiros 6 meses de vida;

– a cada 2 meses até um ano de vida;

– trimestrais até a criança completar dois anos.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, se possível, manter as consultas em período mensal até um ano.

Por que tantas consultas?

Os dois primeiros anos de vida compõem parte dos chamados “1.000 dias”, período conhecido como “janela de oportunidades”.  

Nesses “1.000 dias” a criança tem um intenso crescimento e desenvolvimento e o seu acompanhamento é fundamental para a manutenção da sua saúde a longo prazo.

Outro aspecto importante desse período é o desenvolvimento neurológico, que precisa ser observado de perto.

O desenvolvimento do bebê, neste período, se dá de maneira crânio-caudal.

Ou seja, começa na cabeça e termina nos pés: primeiro o bebê irá aprender a segurar sua própria cabeça, depois descobre as mãos, controla o tronco, vai sentar, engatinhar, vai ficar de pé e caminhar, isso tudo apenas no primeiro ano de vida.

O bebê nasce com um cérebro pouco preenchido dentro do crânio e ao longo destes 2 anos de vida, isso  passará a ser “cheio” de conexões entre os neurônios.

A criança vai fazer praticamente todas as conexões necessárias até seus dois anos de vida e aquilo que não foi estimulado, ou seja, as conexões que não fizerem sentindo serão como que desmanchadas, e a criança terá praticamente a mesma estrutura neurológica até a vida adulta.

Tanto é que o perímetro cefálico da criança cresce em média dois cm/mês nos primeiros 3 meses de vida, 1 cm/mês no segundo trimestre de vida,  ½ cm dos 6 meses a um ano e depois disso apenas 1 cm a cada 3 ou 4 meses. A partir dos dois anos até a vida adulta, vai crescer apenas mais alguns centímetros.

Por isso a importância de aferir o perímetro cefálico e do acompanhamento do peso, já que a nutrição é um fator diferencial para esse desenvolvimento.

Acompanhamento nutricional

Sobre a nutrição é importante destacar que nos primeiros 6 meses de idade o foco central é no acompanhamento da amamentação, que deverá ser exclusiva idealmente.

A partir do sexto mês se inicia a introdução alimentar, com a orientação e estímulo ao consumo mais variado de alimentos possíveis, para uma maior riqueza de micronutrientes e consequentemente um melhor desenvolvimento e crescimento do bebê.

Eu tenho muito orgulho do processo de introdução alimentar dos meus pacientes. Há alguns anos atrás eu ouvia muito que todos começavam com bananinha amassada e papinha com cenoura, batata e arroz.

Hoje eu tenho a felicidade de ter pacientes que fazem a introdução alimentar com uma variedade muito maior de frutas e legumes.

Isso é muito bacana não só para o trabalho de um pediatra, mas também por uma questão de consciência alimentar e variedade de micronutrientes para os meus pacientes.

Acredito que a natureza é perfeita. Então, se consumirmos sempre uma monocultura, as mesmas cores e tipos de alimentos, oferecemos sempre as mesmas vitaminas e minerais.

Cabe ao pediatra, a partir dos 6 meses, estimular este consumo de alimentos de forma bem variada para que a criança tenha a oportunidade de experimentar uma variedade maior de alimentos.

Eu acredito que a criança busca seu próprio canal de crescimento escolhendo os alimentos que são adequados.

Mas eu só consigo fazer esse acompanhamento e permitir que a criança busque isso, se eu estiver atenta ao crescimento, aos alimentos que estão sendo consumidos e acompanhando se a velocidade de crescimento está adequada para cada faixa etária.

O que eu tenho visto no meu consultório é que esse acompanhamento frequente nos primeiros meses previne muitas doenças e visitas desnecessárias ao pediatra.

Além disso, faz com que o desenvolvimento da criança se dê da melhor maneira possível, proporcionando que os pais estejam atentos e mais seguros para exercer seu papel.

Isto, no futuro, tornará as visitas ao pediatra quase lúdicas, já que tudo se torna muito mais natural e saudável quando construído ao longo dos primeiros dois anos de vida. O que, de qualquer maneira, não afasta a importância de continuar tendo essa vigilância sobre o crescimento e desenvolvimento da criança.

Se você ainda assim ficou com alguma dúvida, ou tem alguma sugestão para um próximo post do nosso blog, deixe seu comentário.

Um beijo.



Sobre o autor

Dra. Fernanda Lima

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